Final de ano. Me sinto vazia para escrever, me sinto obrigada a escrever e incompleta para tal coisa.
As palavras são borradas no papel do mesmo jeito em que são jogadas de qualquer jeito no ar pela nossa boca em momentos que não temos nada a falar, em momentos que a última coisa que queremos é falar.
Os pensamentos se embaraçam na minha cabeça, surgem lembranças. Lembranças turvas e não- cicatrizadas. Sentir-se incompleta, sentir raiva. Sentir..... não querer mais sentir... Se apagar, recomeçar, melhorar, me descobrir, ser quem eu sou, descobrir quem eu sou.
Não saber e não ter o que fazer. Querer congelar um tempo onde a felicidade era algo mais acessível, onde não existia a angústia. Um tempo e um lugar onde eu podia acreditar que as pessoas ao meu redor poderiam ser as melhores e que pudessem tentar ser o seu melhor, sem traição, sem inveja, sem falsidade. Um tempo em que podia cicatrizar um sofrimento, tendo esperanças no futuro.

E o tempo se esgotou. Hoje percebi que aquele tempo em que posso me recordar, fazia parte dos meus sonhos mais profundos, na minha crença ingênua na felicidade, na amizade e no amor.
Como se percebe, depois de algum tempo, a realidade às vezes te espanca quando vêm à tona, te faz abrir os olhos e te faz sentir o peso do mundo - do seu mundo. A realidade é mais forte e mais intimidadora, dura mais que a validade dos nossos sonhos. Ela sempre bate à nossa porta e hoje ela bateu na minha.


Dezembro de 2009.

A reescrita.

Porque nos momentos em que mais precisamos, ninguém nos ouve. O soluçar do choro, rasgando a noite, é abafado pelas quatro paredes e repercute, ecoando, dentro dos meus ouvidos. E minha mente, se desencontra, estando tão confusa que nem ao menos eu consigo decifrá-la. E, enquanto isso, meu coração vazio e lento, continua a bater, incessantemente dentro de mim, para me recordar apenas que ainda estou aqui, existindo, vivendo.

Dor, frustração, medo, angústia, melancolia, saudade, arrependimento e... lágrimas. Porque no final do dia, a solidão retorna, tornando-se sua fiel companhia e os sentimentos dilacerantes são os únicos sobreviventes.













Quando tudo está tão incerto e no lugar, e a esperança já não me acompanha mais. As lágrimas me motivam a apenas tentar acabar com a minha dor e a fugir dos meus temíveis pesadelos; a escrever, não para os outros lerem e nem por um motivo nobre, mas apenas para me livrar um pouco de mim mesma, descarregar meus momentos íntimos mais sentimentais em uma folha de papel. Um momento de reconhecimento, de auto-ajuda e instantes só meus, que possam silenciar a minha dor e as minhas lágrimas.

22/11/2010.

Nicholas Sparks

Para muitas pessoas, esse nome não é conhecido, mas acredito que quase todos conhecem um filme de grande sucesso chamado "Um Amor Para Recordar". Pois bem, esse filme foi uma adaptação do livro de Nicholas Sparks que, inclusive, teve outros títulos também transformados em filmes: "Noites de Tormenta", "Querido John" e "A Ultima Música".

Eu só conheci esse autor maravilhoso e emocionante quando li o livro "Querido John" e isso faz pouco tempo... mas nesse pouco tempo eu consegui me apaixonar de uma forma muito contagiante pelas obras de Sparks. Para quem adora chorar, se emocionar, ficar com o coração apertadinho quando lê um livro ou assiste a um filme, está aí uma ótima dica de entretenimento.

Infelizmente, esse autor tem poucas obras, atualmente, traduzidas para português, o que é uma pena já que seus livros são um fenômeno e best-sellers. Mas, pelo visto, estão prometendo para breve novas obras do autor em português aqui no Brasil. Agora é só cruzar os dedos e torcer para que essas novidades cheguem logo.

Para terminar esse post, vou deixar aqui embaixo alguns trechos emocionantes dos livros de Nicholas Sparks.



"A razão por que a despedida nos dói tanto é que nossas almas estão ligadas.Talvez sempre tenham sido e sempre serão.Talvez nós tenhamos vivido mil vidas antes desta e em cada uma delas nós nos encontramos.E talvez a cada vez tenhamos sido forçados a nos separar pelos mesmos motivos.Isso significa que este adeus é ao mesmo tempo um adeus pelos últimos dez mil anos e um prelúdio do que virá."

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"Por vezes a minha dor é esmagadora, e embora compreenda que nunca mais nos voltaremos a ver, há uma parte de mim que quer agarrar-se a ti para sempre. Seria mais fácil para mim fazer isso porque amar outra pessoa pode diminuir as recordações que tenho de ti. No entanto, este é o paradoxo: Embora sinta muitíssimo a tua falta, é por tua causa que não temo o futuro. Porque foste capaz de te apaixonar por mim, deste-me esperança, meu querido. Ensinaste-me que é possível seguir em frente com as nossas vidas, por mais terrível que tenha sido a nossa dor. E à tua maneira, fizeste-me acreditar que o verdadeiro amor não pode ser negado"

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"Antes de nos termos encontrado, atravessava a vida sem sentido, sem razão. Sei que de alguma maneira, todos os passos que dei desde o momento em que comecei a andar eram passos dirigidos ao teu encontro. Estávamos destinados a encontrarmo-nos. Mas agora, sozinho na minha casa, comecei a perceber que o destino pode magoar uma pessoa tanto quanto a pode abençoar, e dou por mim a perguntar-me porque razão - de todas as pessoas do mundo inteiro que alguma vez poderia ter amado - tinha de me apaixonar por alguém que foi levada para longe”



Um mundo perfeito seria totalmente sem graça, mas como seria bom se nossas vidas, às vezes, seguisse rumos similares com o de histórias de romances como as de livros e filmes...

Amores de uma vida inteira que expressam, em um olhar, a exatidão de um sentimento. Um amor com empecilhos sim, mas sem a dúvida da existência da paixão.

Amor à primeira vista e sendo correspondida, um encontro mágico de olhares entre duas pessoas sedentas de carinho e paixão. Quão bom seria se esses momentos de magia aparecessem em nossas vidas justamente em nossos momentos de solidão e fraqueza.

Hoje em dia, sentimentos como amor e paixão sucumbiram à padrões da estética e da falta de compromisso. O egoísmo impera nas relações interpessoais atuais, onde as pessoas não se questionam em relação ao bem-estar do seu parceiro. Sem contar no contato virtual, que em alguns casos, diminui a quantidade e a intensidade de encontros reais, onde a ansiedade gera fortes palpitações no coração, as mãos transpiram e as pernas tremem....

Mas ainda pode haver uma esperança. O real sentimento à espera do momento certo para poder surgir e, quando este momento chegar, talvez seja o resgate de momentos tão simples com um sentimento recíproco tão nobre.


14 de setembro de 2010.


Mais nenhuma palavra a ser dita, nenhuma outra frase que eu possa falar além de que "me sinto só".
Conviver diariamente durante anos pode ser uma tarefa fácil, ou não. Tem pessoas que aceitam isso para suas próprias vidas, mas duvido muito que tenham se acostumado com a solidão. Nesse momento, eu não sei o que estou escrevendo, além de palavras unidas que não fazem sentido nenhum.... para ninguém. Não há alguém para dar motivo à essas palavras ou alguém que se importe. E por quê que alguém se importaria?

A dor da solidão, a dor da perda, a dor da rejeição, da humilhação, do vazio, do esquecimento ou até mesmo da lembrança.... Quantas milhares de dores podem afetar uma única pessoa? Qual remédio para cada uma delas..... existe? Começo a crer que não. Certas dores com certas pessoas tem o mesmo poder ameaçador do vírus HIV, por exemplo, ali vai permanecer dentro dela paar sempre, até que a pessoa morra. Você pode controlar, continuar a viver, mas sabe que ele está ali... Perdoe-me se eu estiver errada e falando merda, mas nesse momento, falar merda ou não falar, sinceramente, não faz nenhuma diferença útil na minha vida.

Aquela vontade de fugir, ao mesmo tempo que a pergunta surge na cabeça: Fugir para onde, se a dor vai lhe acompanhar, se a solidão sempre vai ser seu inimigo mais íntimo? Fugir de que maneira, se não se encontra forças nem para não derramar lágrimas, nem para tentar, ao menos, se fazer de forte, para deixar o rancor de lado.... Como?

E aí, se olha para os lados, e cadê a solução? Alguém me disse que sempre há uma, que a esperança sempre deveria resistir até o fim, que a felicidade está ao lado..... Mas elas parecem estar bem longe daqui. E aí o que lhe resta? Continuar a ser alguém desconhecido de si próprio, tentar parecer menos insuportavel, lidar com as frustrações, perdas, lágrimas, dor, falta de esperança, solidão.... até que um novo dia comece e você fique apenas esperando por algo que desconhece, algo que não acredita, algo que você sabe que nunca virá..... a felicidade em pelo menos estar viva.